As folhas caídas
São oito e meia duma fria manhã e estou sentada num lindo jardim, ouvindo uma linda música calma, sentindo o frio entrar-me no corpo e fazendo com que sinta uma dor fina e uma pequena dificuldade em escrever e em agarrar a caneta com firmeza. Estou aqui desde as oito horas da manhã e até agora estive a observar atentamente a forma como as folhas castanhas caídas das árvores dançam ao ritmo da música do vento, a forma como as árvores lidam com o facto de estarem a ficar despidas, com o facto de estarem a perder aquilo que as protege e que as faz ficarem bonitas. Tudo isto são, sem dúvida, coisas bonitas para observar, é como olhar para alguém de quem gostamos e observarmos a forma como ela sorri, como ela anda, como ela nos olha e como ela lida com o facto de ter a alguém a observá-la, pois tal como as folhas que antes pertenciam às árvores e agora pertencem a um imune chão não pararam de olhar pelas suas árvores, não pararam de desejar que o verão se aproxima, mais uma vez, para elas p...