Até quando vou esperar?
Tanto tempo já passou desde a tua última palavra. Tanto tempo que as flores cresceram, o sol apareceu, as folhas castanhas agora são verdes, o vento emigrou e a chuva secou. Imenso tempo mesmo. Já pestanejei os olhos milésimas vezes, a cor dos meus olhos já mudou com o sol, já vesti a mesma blusa imensas vezes, já chorei, já sorri, mas olha, ainda continuo aqui à espera de um milagre, de uma forma de fazer o tempo andar para trás ou de poder entrar dentro de ti e meter o meu nome dentro desse teu coração que tem tanto azar como o meu. Todos os azares têm nome. O meu és tu. O teu qual é? Ainda me lembro como se fosse hoje do dia que, pela primeira vez, tinha eu 12 anos, falei com a minha mãe sobre amor. “O que é o amor, mãe?”. E ela, com aquele seu sorriso, disse-me que eu era o amor. Ela era o amor. Todos nós eramos amor. “O amor é uma coisa que está dentro de cada um de nós, bem escondido, num cantinho do teu coração. Se fosse para brincar às escondidas, ele ganhava, sem dúvida. Ele ...