Até quando vou esperar?
Tanto tempo já passou desde a tua última palavra. Tanto tempo que as flores cresceram, o sol apareceu, as folhas castanhas agora são verdes, o vento emigrou e a chuva secou. Imenso tempo mesmo. Já pestanejei os olhos milésimas vezes, a cor dos meus olhos já mudou com o sol, já vesti a mesma blusa imensas vezes, já chorei, já sorri, mas olha, ainda continuo aqui à espera de um milagre, de uma forma de fazer o tempo andar para trás ou de poder entrar dentro de ti e meter o meu nome dentro desse teu coração que tem tanto azar como o meu. Todos os azares têm nome. O meu és tu. O teu qual é?
Ainda me lembro como se fosse hoje do dia que, pela primeira vez, tinha eu 12 anos, falei com a minha mãe sobre amor. “O que é o amor, mãe?”. E ela, com aquele seu sorriso, disse-me que eu era o amor. Ela era o amor. Todos nós eramos amor. “O amor é uma coisa que está dentro de cada um de nós, bem escondido, num cantinho do teu coração. Se fosse para brincar às escondidas, ele ganhava, sem dúvida. Ele ganha sempre, nunca te esqueças disso, filha.”. Fiquei, mesmo sem saber o que era tal coisa, a não gostar do amor. Sabes? Odeio que me ganhem, tenho aquele mau perder de menina mimada que nasceu comigo e que faz parte daquela infinita lista de defeitos. Não queria, pela primeira vez, encontrar o amor que a minha mãe dizia estar escondido num cantinho do meu coração. Ele que ficasse sem lá e não me incomodasse, assim ele não me pedia para brincar às escondidas e ele não me ganhava.
“É aquele sentimento que quando sentes pela primeira vez, queres sentir para sempre. Se realmente for amor. É aquilo que eu sinto por ti e que tu sentes por mim. Aquilo que sentes nesse coração quando o pai chega a casa depois de um dia de trabalho. Quando um adolescente apaixonado tem aquelas birras de ciúmes com medo de perder a pessoa que ama. Sim filha, quem ama tem medo de perder. Eu tenho medo de te perder, por isso ainda te agarro antes de atravessares a rua e digo-te milésimas vezes a mesma coisa antes de ires para a escola. Isso porque te amo.” Com quantos anos ia eu começar a sentir todas essas coisas estranhas que me obrigarão a ter de perder? Queria o amor longe de mim. Quem diria que algum dia eu, a romântica e a defensora do amor, desejou nunca amar nem nunca sentir as coisas que me pareciam tao estranhas e que agora fazem parte dos meus dias, é rotina. Não fazia ideia. Odiava esse “amorzinho” que achava que me ia ganhar. E é nessas alturas que me recordo das valiosas palavras da minha mãe quando ela disse “para amar não há idade. Todos amamos a partir do momento que choramos pela primeira vez. O coração nasce pronto e todos eles têm as “joelheiras” para os pontapés que vai levar. Não te preocupes. Amor é tão bom e acredita que vale a pena esperar por ele uma vida inteira. E se alguma vez alguém desistir do teu amor, não desistas do dele. Se ele desistiu é porque não sabe ainda o que é amor, mas espera, porque a vida obriga todos nós a saber isso o que é. Sentir é diferente de saber, sublinha isso”. Eu sublinhei, parece que eu sabia que isso me ia servir para, um dia, amar-te e não desistir de me amares. À tua espera eu já escrevi mil folhas de papel com mais de cinco lápis diferentes, já pintei as unhas da tua cor preferida tanta vez, já estudei sobre o teu assunto preferido, já recuperei amigos antigos, já perdi pessoas que adorava, já conheci pessoas que até hoje nunca pensei conhecer, já olhei para outras tantas pessoas, já escrevi a letra para a música principal do nosso sonoro, já comecei a escrever a nossa história, já acendi tantos cigarros, já percorri o mundo, já dormi em várias camas e já bebi de vários copos. Até quando vou esperar mais? Preciso mudar a cor do sol? Aprender como se prevê o tempo ou como se prevê o futuro? Preciso deixar o vento apagar mais cigarros?
Como a minha mãe disse no fim dessa conversa, há algum tempo atrás, “espera pelo amor dessa pessoa o tempo suficiente para ela perceber que o tempo passa e as pessoas vão com ele, não ficam para sempre.” O amor ganhou-me. Eu encontrei-o. Ganhei. Mas tu não o encontras. Perdi.
Ainda me lembro como se fosse hoje do dia que, pela primeira vez, tinha eu 12 anos, falei com a minha mãe sobre amor. “O que é o amor, mãe?”. E ela, com aquele seu sorriso, disse-me que eu era o amor. Ela era o amor. Todos nós eramos amor. “O amor é uma coisa que está dentro de cada um de nós, bem escondido, num cantinho do teu coração. Se fosse para brincar às escondidas, ele ganhava, sem dúvida. Ele ganha sempre, nunca te esqueças disso, filha.”. Fiquei, mesmo sem saber o que era tal coisa, a não gostar do amor. Sabes? Odeio que me ganhem, tenho aquele mau perder de menina mimada que nasceu comigo e que faz parte daquela infinita lista de defeitos. Não queria, pela primeira vez, encontrar o amor que a minha mãe dizia estar escondido num cantinho do meu coração. Ele que ficasse sem lá e não me incomodasse, assim ele não me pedia para brincar às escondidas e ele não me ganhava.
“É aquele sentimento que quando sentes pela primeira vez, queres sentir para sempre. Se realmente for amor. É aquilo que eu sinto por ti e que tu sentes por mim. Aquilo que sentes nesse coração quando o pai chega a casa depois de um dia de trabalho. Quando um adolescente apaixonado tem aquelas birras de ciúmes com medo de perder a pessoa que ama. Sim filha, quem ama tem medo de perder. Eu tenho medo de te perder, por isso ainda te agarro antes de atravessares a rua e digo-te milésimas vezes a mesma coisa antes de ires para a escola. Isso porque te amo.” Com quantos anos ia eu começar a sentir todas essas coisas estranhas que me obrigarão a ter de perder? Queria o amor longe de mim. Quem diria que algum dia eu, a romântica e a defensora do amor, desejou nunca amar nem nunca sentir as coisas que me pareciam tao estranhas e que agora fazem parte dos meus dias, é rotina. Não fazia ideia. Odiava esse “amorzinho” que achava que me ia ganhar. E é nessas alturas que me recordo das valiosas palavras da minha mãe quando ela disse “para amar não há idade. Todos amamos a partir do momento que choramos pela primeira vez. O coração nasce pronto e todos eles têm as “joelheiras” para os pontapés que vai levar. Não te preocupes. Amor é tão bom e acredita que vale a pena esperar por ele uma vida inteira. E se alguma vez alguém desistir do teu amor, não desistas do dele. Se ele desistiu é porque não sabe ainda o que é amor, mas espera, porque a vida obriga todos nós a saber isso o que é. Sentir é diferente de saber, sublinha isso”. Eu sublinhei, parece que eu sabia que isso me ia servir para, um dia, amar-te e não desistir de me amares. À tua espera eu já escrevi mil folhas de papel com mais de cinco lápis diferentes, já pintei as unhas da tua cor preferida tanta vez, já estudei sobre o teu assunto preferido, já recuperei amigos antigos, já perdi pessoas que adorava, já conheci pessoas que até hoje nunca pensei conhecer, já olhei para outras tantas pessoas, já escrevi a letra para a música principal do nosso sonoro, já comecei a escrever a nossa história, já acendi tantos cigarros, já percorri o mundo, já dormi em várias camas e já bebi de vários copos. Até quando vou esperar mais? Preciso mudar a cor do sol? Aprender como se prevê o tempo ou como se prevê o futuro? Preciso deixar o vento apagar mais cigarros?
Como a minha mãe disse no fim dessa conversa, há algum tempo atrás, “espera pelo amor dessa pessoa o tempo suficiente para ela perceber que o tempo passa e as pessoas vão com ele, não ficam para sempre.” O amor ganhou-me. Eu encontrei-o. Ganhei. Mas tu não o encontras. Perdi.