Mais um ano ou menos um ano?
O tempo realmente voa e leva consigo as melhores coisas, levou o meu coração e até hoje, nunca mais soube dele. Sim, sei que tenho algo dentro de mim que me mantém viva e que, supostamente, deveria se chamar de coração, mas coração é aquilo que voou com o tempo, ou com o vento, sei lá. Até é capaz de ter voado com um amor que me tornou numa antiamor ou anti qualquer coisa, que ainda estou para descobrir. Não é que eu não goste do amor, porque sim, gosto, mas há amores que nos magoam tanto e nos destroem por dentro que nós prometemo-nos a nós próprios nunca mais amar, nunca mais querer ser de alguém, ou nunca mais planear um futuro distante com alguém! Foram desilusões atrás de desilusões o que me fez fechar-me para o mundo, ser a pessoa fria que hoje sou, eu sei e admito. É aquele medo gigante de me entregar e depois ser devolvida, ou substituída. Aquele medo de amar e ver o meu amor amando outro coração. Mas o que é que o meu coração tem de mal? Não consegue aconchegar? Não consegue ser o suficiente? Não dá o amor necessário? Não percebo. Não percebo o que é que os outros corações têm de melhor que o meu, mas compreendo, talvez o problema seja mesmo eu. Já estou cansada de pedir o meu coração de volta, porque apesar de tudo sinto saudades e vontade de amar alguém, de saber que pertenço ao coração de outro alguém e de acordar sabendo que faço alguém feliz. Sinto-me pronta. Curada. Forte. As pessoas entram e saem das nossas vidas, temos que nos habituar, mas há aquelas pessoas que entram e não despertam nada em nós, e era isso que me acontecia já há algum tempo. Não via nada de interessante e cativante em ninguém, não via motivos para me deixar levar ou entregar, mas também há pessoas diferentes, pessoas que despertam o melhor de nós, que nos dão vontade e força de continuar e de acreditar em algo melhor. E é por isso que sinto o meu coração voltar aos poucos, sinto uma vontade de me entregar e de amar. É isso que quero. Sem medos. Sem tortura. Sem pressa. Sem desilusões. Só queria que me deixassem ir, que as memórias passadas desaparecessem por completo e não me fizessem continuar a ser a pessoa fria que ainda hoje sou. Deixem-me ir. Prometo que irá tudo correr bem. Eu prometo. E tu, vens comigo?