As folhas caídas
São oito e meia duma fria manhã e estou sentada num lindo jardim, ouvindo uma linda música calma, sentindo o frio entrar-me no corpo e fazendo com que sinta uma dor fina e uma pequena dificuldade em escrever e em agarrar a caneta com firmeza. Estou aqui desde as oito horas da manhã e até agora estive a observar atentamente a forma como as folhas castanhas caídas das árvores dançam ao ritmo da música do vento, a forma como as árvores lidam com o facto de estarem a ficar despidas, com o facto de estarem a perder aquilo que as protege e que as faz ficarem bonitas. Tudo isto são, sem dúvida, coisas bonitas para observar, é como olhar para alguém de quem gostamos e observarmos a forma como ela sorri, como ela anda, como ela nos olha e como ela lida com o facto de ter a alguém a observá-la, pois tal como as folhas que antes pertenciam às árvores e agora pertencem a um imune chão não pararam de olhar pelas suas árvores, não pararam de desejar que o verão se aproxima, mais uma vez, para elas poderem voltar ao sítio onde se sentem bem, não pararam de fazer parte das árvores... porque, contrariamente aquilo que pensamos, perder alguém ou ficar longe de algo que gostamos não significa, de todo, que esta coisa ou este alguém páre de fazer parte da nossa vida.
O sol está fazer-me mal aos olhos, os meus cabelos tapam-me a visão, as folhas batem contra mim com toda a força, o meu perfume está a voar com o vento neste jardim, as minhas mãos estão imensamente frias e o meu coração tira-me a vontade de estar aqui a ver coisas tão bonitas, porque afinal a única coisa que não é bonita e que não alegra o meu dia é a dor que o meu coração sente e se lamenta a toda a hora, mas esta dor não é aquela dorzinha que deriva do frio, é derivada de tanta coisa, é a falta, é o excesso, é a saudade, é a raiva, é a desilusão, é o orgulho, é a vontade, é tudo! Ele nem sabe explicar o porque de me fazer ter estas dores fortes que causam lágrimas constantes, e se ele não sabe eu também não sei, eu simplesmente mostro aquilo que ele sente, e sabes o que mostro? Mostro solidão e medo, porque doí olhar para este jardim e ver casais a trocar carinhos, beijos, abraços, palavras de amor, e eu aqui, sentada num banco sozinha, acompanhada por um cigarro, por uma folha, por uma caneta e por um telemóvel, sem ter ninguém aqui a meu lado a me dar beijos na testa e a me sussurrar declarações de carinho ao ouvido, a me fazer sentir feliz e amada.. é esta a falta que sinto, sinto falta de amar, de acordar todos os dias com motivos para querer abrir a janela sem medo de ver a chuva ou de ficar irradiada com o sol, de adormecer todas as noites a sorrir sabendo que no dia seguinte irei poder partilhar mais um pouco do imenso amor que ainda tenho para partilhar.. é isto que doí, olhar a meu redor e não ter ninguém a olhar para mim com um olhar apaixonado. E sei que é assim que as folhas castanhas que andam a dançar pelo chão se sentem, porque não há ninguém a olhar para elas com um olhar a cheirar a amor, então hoje fiz com que elas se sentissem melhor e fiquei a observá-las e a desejar ser uma árvore de verão para viver perto delas e com elas, e assim nem eu nem elas nos sentiamos à parte neste mundo sem amor para nós.
O sol está fazer-me mal aos olhos, os meus cabelos tapam-me a visão, as folhas batem contra mim com toda a força, o meu perfume está a voar com o vento neste jardim, as minhas mãos estão imensamente frias e o meu coração tira-me a vontade de estar aqui a ver coisas tão bonitas, porque afinal a única coisa que não é bonita e que não alegra o meu dia é a dor que o meu coração sente e se lamenta a toda a hora, mas esta dor não é aquela dorzinha que deriva do frio, é derivada de tanta coisa, é a falta, é o excesso, é a saudade, é a raiva, é a desilusão, é o orgulho, é a vontade, é tudo! Ele nem sabe explicar o porque de me fazer ter estas dores fortes que causam lágrimas constantes, e se ele não sabe eu também não sei, eu simplesmente mostro aquilo que ele sente, e sabes o que mostro? Mostro solidão e medo, porque doí olhar para este jardim e ver casais a trocar carinhos, beijos, abraços, palavras de amor, e eu aqui, sentada num banco sozinha, acompanhada por um cigarro, por uma folha, por uma caneta e por um telemóvel, sem ter ninguém aqui a meu lado a me dar beijos na testa e a me sussurrar declarações de carinho ao ouvido, a me fazer sentir feliz e amada.. é esta a falta que sinto, sinto falta de amar, de acordar todos os dias com motivos para querer abrir a janela sem medo de ver a chuva ou de ficar irradiada com o sol, de adormecer todas as noites a sorrir sabendo que no dia seguinte irei poder partilhar mais um pouco do imenso amor que ainda tenho para partilhar.. é isto que doí, olhar a meu redor e não ter ninguém a olhar para mim com um olhar apaixonado. E sei que é assim que as folhas castanhas que andam a dançar pelo chão se sentem, porque não há ninguém a olhar para elas com um olhar a cheirar a amor, então hoje fiz com que elas se sentissem melhor e fiquei a observá-las e a desejar ser uma árvore de verão para viver perto delas e com elas, e assim nem eu nem elas nos sentiamos à parte neste mundo sem amor para nós.
