A menina e a varanda
Era uma vez uma menina, uma simples menina, que trazia no seu olhar uma certa tristeza, desconforto ou saudade… Era uma menina comum, com os seus sonhos, com os seus medos, com os seus segredos, mas acima de tudo, com as suas lições de vida. Essa menina morava num prédio, e no andar onde ela morava havia uma varanda da qual se destaca muito em relação às outras varandas, e talvez seja estranho para vocês em vir aqui escrever sobre uma varanda duma simples menina, mas essa varanda era grande parte da menina. Sim, é normal não estarem a entender. Então, essa varanda era voltada para o mar, com uma vista esplêndida e, como dizia a menina muitas vezes à mãe, conseguia-se avistar o outro lado do mundo.
Todas as crianças têm sonhos, todas têm receios e metas a alcançar, e então aquela menina era uma criança que nada a fazia parar, nada a fazia desistir dos seus sonhos e isso, na realidade, tornava-a uma menina especial, pois, todas as crianças, geralmente, não sabem a definição da palavra lutar, muito menos sabem o que esta obriga, mas aquela menina, com toda a tristeza que trazia no olhar, em cada pedra que encontrava no seu caminho, achava uma lição de vida, conseguindo assim, justificar todos os “não’s” que a davam e isso era mais uma das razões que a fazia ser diferente de todas as crianças, sem dúvida!
E o que tem a varanda a ver com isso? Sim, sei que querem saber! Bem, a varanda, como já referi era grande parte da vida da menina, pois era lá que ela definia todos os seus sonhos, limitava todas as suas metas, contornava todos os seus medos, e contava todas as suas lições de vida. E então, a menina, sempre sentada num baloiço, voltada para o mar, recitava tudo isso, como se essa varanda fosse um melhor amigo ou confidente, até! Um dos seus sonhos era ser princesa, tornar aquele prédio num castelo e fazer com que aquela varanda fosse o lugar principal desse mesmo castelo e onde lá ela pudesse criar um mundo com o seu príncipe, onde não houvesse dragões, nem bruxas, apenas queria ser uma personagem daqueles livros infantis que todas as avós ou mães contam às crianças antes de estas adormecerem. E, esta menina, de cabelo liso e preto, com uns olhos parecidos com duas lindas ameixas, com uma linda cor, fazia os possíveis e impossíveis para poder acabar a sua história encantada com a frase: E viveram felizes para sempre (…)
É como se nada a impedisse de concretizar esse sonho idealizado, que na realidade nunca haveria de ser concretizado, e na verdade, aquela varanda onde a menina inocente recitava todas as suas metas, medos e sonhos, vivia com o medo que ela crescesse, que entrasse na idade de começar a ver o mundo de maneira diferente, ou seja, medo que toda a inocência que dentro dela habitava, desaparecesse e a menina entrasse no mundo real, naquele mundo em que não existem sonhos como os dela, onde não existem príncipes nem princesas e muito menos, finais felizes!