Butterfly fly away

Era para ser um lindo dia, em que as borboletas pousassem nas suas mãos e a viessem trazer alguma sorte e esperança. Ela acordou tranquilizada, e pensava que seria a continuação de uma linda história de amor. O dia começou bem, tudo estava nos seus conformes, ela continuava a sorrir, sempre com aquele pensamento positivo. Mas, há sempre um “mas” . Não posso dizer isso de outra maneira, pois não? Ela sonhara com o seu príncipe encantado, com o cavalo branco que a iria levar para um lugar de veras melhor. Tudo fantasias, pensava eu. Mas hoje acho que ela aprendera a não acreditar no que em pequenina a contavam, aprendera também que não existe ninguém merecedor da nossa inteira confiança, muito menos do nosso completo coração. Apenas as borboletas. O mundo da menina caíra em cima dela, como se não houvesse pontos seguros na sua construção, porque o seu mundo ainda estava a ser construído, apenas. Ela é que não se apercebera disso a tempo. Ela andava a se apoiar em pessoas mais fracas do que ela, com menos carácter do que ela, com o coração muito mais pequenino do que o que ela levava dentro do peito, mas ela via todas as pessoas como “perfeitas à sua maneira”, e não , isso não era nada bom. Desde aí, é que começou a construção do mundo dessa menina. Ela começara por escolher os habitantes desse mundo, de seguida os sítios que iriam ser mais frequentes e por último, imaginou que lá só entraria a alegria e o amor. Impossível, dizia eu. E tenho a certeza que agora ela pensa tal como eu: impossível. Ela escolheu as pessoas erradas, com todos os defeitos que nem ela nem ninguém sonhara ter. Mas posto isso de parte, ela continuara na sua “fantástica” construção. Dedicou-se totalmente aos tais habitantes, entregou-lhes o coração e eu acredito que ela não o terá de volta durante algum tempo, e se o tiver, estará totalmente despedaçado depois da grande desilusão que essas mesmas personagens lhe deram, vai ser difícil a menina voltar a ter coragem de amar e força de vontade para voltar a construir um mundo, ou até mesmo, reconstruir o que hoje caiu, escolhendo melhor os habitantes que nele viverão, mas acima de tudo, optar melhor às pessoas a quem entrega o seu doce coração. Foi hoje, foi hoje que entendeu que amar para esquecer um antigo amor não é o mais certo, entendeu também que idealizar as pessoas não é correcto, mas acima de tudo viu que afinal, são poucos aqueles que a vêm como ela realmente é. E sim, não duvido que isso tenha sido uma grande desilusão para ela. Poderia até continuar a escrever toda essa história, mas para quê? O mal está feito, o coração está partido, a menina está despedaçada, e eu, aqui, sentada à frente do computador, estou apenas a transcrever o que de mau na vida dessa menina aconteceu, e nunca mais voltará acontecer, e sim, estou a fazer isso a pedido dela, pois ela apenas tem como objectivo mostrar que afinal não é assim tão bom sermos uma borboleta, doce, mole, sensível e pouco dura consigo própria, pois ela, tal como as borboletas, voou, voou longe demais, como o vento, num sonho do qual era perfeito de mais, e que hoje só veio trazer sofrimento à menina, a mim e a todos aqueles que realmente gostavam dela. E Sabem porquê? Porque o mundo daquela menina ao ter caído em cima dela, matou-a. Ela agora está no sítio onde melhor se pode estar, lendo o que eu estou escrevendo, agradecendo e protegendo todos aqueles que hoje choram em memória dela, e sim, também a todos aqueles que a deram uma primeira e última lição de vida, dado que ela é doce demais para optar pela vingança, preferindo então ser uma borboleta mais uma vez, e voando para o azul do céu, para sempre.

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