A imensa dor duma frágil menina.
Ontem sentada na cama, a menina com os auriculares nos ouvidos, de olhos fechados, a relembrar bons momentos que já viveu, sentiu algo estranho na garganta, um nó, uma imune vontade de chorar. Parecia estar perdida, sem saber como se situar em todos aqueles momentos. Pensava que tudo era um sonho, que tudo aquilo que estava a ser relembrado tinha sido bom demais para ter sido vivido por ela. E ficou sempre com o pensamento de tudo aquilo ter sido um sonho e de ela só agora ter acordado. Pensou mal a menina. Muito mal.
Abriu os olhos, estava a blusa dela toda molhada, de lágrimas que na verdade tinham muitas histórias e sentimentos para contar. O quarto estava completamente escuro, apenas havia uma luz vinda da janela, que era o ponto de concentração dela, naquela noite, era a olhar para lá que chorava, que implorava que o tempo voltasse atrás. Um luz vermelha piscavam, era a luz do computador, e aquela luz dizia-lhe algo, ninguém sabe o que, mas dava para ver que a estava a incomodar. Chorava. Continuava a chorar. Soluçava. Então, que se passa?
“Volta, volta para mim!” , tentava ela dizer, mas nem conseguia falar, as lágrimas eram tantas, o nó na garganta era tão grande que nada saia da boca dela, apenas via-se os lábios da menina mexerem , como se ela quisesse gritar. Isso fazia-me impressão. Como é possível haver tristeza tão grande? Perguntava-me a mim mesma. A menina continuava na mesma posição, de olhar fixo na janela, com as lágrimas a correrem pelo seu moreno rosto, e parecia ser telenovela, todos aqueles momentos a serem relembrados, sem ela se mexer, sem ela falar, cada beijo que ela pensava, uma lágrima caia intensamente sobre o ecrã do seu telemóvel. Preocupava-me a dor daquela menina, notava-se que algo dentro dela não estava bem, e não, não eram apenas saudades. Era um sentimento de perda, uma angústia, pois o dono do seu coração não a falava à praticamente uma semana, e isso trazia-a um medo, e esse medo era forte demais para uma menina tão frágil como aquela.
Essa menina, para expulsar todo esse medo de dentro de si, senti necessidade de escrever, senti necessidade de se exprimir, uma vez mais. E assim foi, sentou-se aqui e está escrever tudo o que a vai no coração e aí sim, foi sem medos.
