Agora é Inverno.
Já se vê o céu escuro, já se vê a chuva a cair com frequência, já se consegue ver as árvores despidas, as castanhas folhas caiadas sobre o chão. Já consigo sentir o frio logo pela manhã, e tudo o que mais necessitava nesses momentos obscuros e frios, era de ti, de um abraço teu, do teu calor. Mas não. Não tenho nada teu. Nem uma palavra tenho, e isso ainda faz com que o frio seja mais intenso, e sem dúvida que é esse frio que me anda a tornar nessa pessoa fria. Hoje quando olhei para o céu e pensei que era tão cedo para estar assim tão escuro, algo me passou pela mente e fez com que visse ou até mesmo chegasse à conclusão que tudo o que de melhor me deste, foi o que mais me magoou. Os nossos momentos. Foram perfeitos, mas na realidade, são eles que me têm feito sofrer dessa maneira, são eles que me têm feito chorar todos os dias à noite. E porquê? Mais uma vez, são as saudades. E vão ser sempre. Por mais que tente, por mais que fale, não vale a pena, a ignorância está do teu lado, a insignificância está do meu. Fazes-me sentir inútil. Tu e todos. Não há nada que faça que esteja certo, não há nada que diga que seja, de certo modo, o melhor. Tudo o que vem de mim, para ti, não é bom. Porquê?
Achas que tenho de te agradecer por me teres congelado o coração? Achas que devo adorar-te por me teres transformado num terrível Inverno, onde não há claridade, onde não existe a cor azul, onde só existe água, cinzento, folhas sobre o chão, árvores despidas (…) Não, não tenho que te agradecer. Tenho que só que te pedir que voltemos a viver o Verão, que me voltes a transformar nele, que me devolvas o sol, que pegues em mim para conseguir vestir as árvores, que me confortes perante a água gelada do mar, que te deites a meu lado e passes os teus lábios nos meus, que voltes a me atirar areia quando estava molhada, quando enchias a minha toalha de areia com o objetivo de corrermos juntos pela praia, como antes fazias, lembras-te? E porque, porque tudo isso não pode voltar a acontecer? Terei eu de esperar meses e mais meses para te voltar a ter, para voltar a ser feliz, para voltar a amar, para voltar a ser quem antes era. Mas não importa, o que importa é que eu estou aqui, à espera que esse inverno se vai embora e que começa a aparecer nuvens no céu, que começa a haver o sol a me iluminar, a nos iluminar, pois ambos sabemos que o Verão vai voltar, agora ou depois, ele vai voltar, e vamos voltar a ser felizes nele, vamos voltar a ir ao mar juntos, vamos voltar a estar juntos lado a lado debaixo do sol, vamos voltar a sentir o calor dos nossos corpos, vamos voltar a ser um só, e acima de tudo, e mais importante, vamos voltar a reencontrar o amor e a felicidade naquela praia, naquele mar, naquele verão, naquelas roupas, e vamos pedir à areia para nos recordar de todos os momentos que lá passamos.
Agora sim, agora posso dizer que sei o que é amar, agora posso dizer que nunca gostei de ninguém assim. Já tive inúmeros amores, mas como esse, nenhum. Tu entraste na minha vida com o objetivo de me mostrar o que realmente é a sensação de amar e não poder continuar, ou até mesmo a dor de desejar e não poder ter. Antes quando me perguntavam quem tinha sido a pessoa que eu mais amei, uma resposta rápida me vinha a boca, mas agora, agora não posso responder da mesma maneira, pois se amar é isso que estou a sentir, o que antes sentia não era amor, não era nada. Talvez ninguém tenha a noção do quanto essa palavra significa. É intensa demais, incondicional, perfeita, dolorosa. Ela é tudo. Ela és tu. E é essa a única definição que consigo dar à palavra “amo-te”, só espero que me definas essa palavra da mesma maneira que eu, e se um dia responderes assim, e disseres que a palavra amar sou eu, eu perguntar-te-ei: Se para mim a palavra amar és tu, e se para ti a palavra amar sou eu, porque é que não fazemos com que a palavra amar seja nós?
