eu era...
"Não mãe, não te vaias embora!"
Era isso que aquela menina mais dizia nos últimos tempos, queria provar à mãe que ela sim, era a pessoa que mais amava, que mais precisava, que mais admirava. Foi aí que ela deu valor à mãe, quando tudo aconteceu, quando foi descoberto um temor na mãe.
Aquela menina sim, tem medo de adormecer e quando acordar já não ter lá a mãe, e isso é algo, completamente assustador. Não poder adormecer com esse medo!
"Mãe, ouve-me! Não vaias, fica aqui comigo, continua a me acordar todos os dias de manha, continua a gritar comigo quando não apanhar boas notas. Não mãe, não vaias!". A menina questionava-se o porquê de tudo aquilo por que estava a passar, estava prestes a perder a pessoa, que sim, era a mais importante. Que podia mais ela dizer para a mãe não se ir embora, já a tinha dito que faria tudo para que ela cá ficasse, já prometeu coisas impensáveis, já rezou, já chorou, já tudo. Mas a mãe não a ouve.
"Mãe, será que não consegues entender o quanto és importante para mim. Sou a tua menina, sou a menina da mamã" . Sim, ela é!
Há coisas que nem nós conseguimos explicar, e de certo modo, são estas histórias que nos fazem começar a valorizar a mãe e pai que temos, o quanto eles importam!
Mas tudo teve que acabar, e sim, as máquinas começaram a apitar com frequência, de uma maneira mais rápida e barulhenta.
"Mãe, por favor, não me faças isso, sei que nem sempre fiz o que quiseste, nem sempre fui boa filha, mas não, não me deixes aqui. Volta atrás, fica! Tratarei de ti!".
Não menina, sua mãe morreu. Chorou, gritou, magoou-se, esperneou, soluçou, e só pensou: "Eu era... eu era a menina da mamã"
(...)