O coração comanda, aprende!
Sempre me disseram que amar era bom, que passávamos a ver as coisas totalmente perfeitas, que não havia contratempos, que o nosso coração renascia como o por de sol, e que até as mais simples coisas começavam a ter valor. Eu olhei o sol, e disse-o: « talvez o meu coração comece a bater à força do vento, o meu sorriso seja como o mar, nunca desapareça e nunca acabe, e as lágrimas sejam como a chuva no verão, não existem ». Acreditei no que me disseram, não êxitei e decidi partir, fiz as malas e parti para o mundo do amor.
Ao lá chegar, era tudo lindo, parecia que tinha chegado ao paraíso, era tudo cor-de-rosa, todos a sorrir. Sorri também, espontaneamente. Meti as malas no meu quarto, arrumei as minhas coisas nos sítios correctos. Claro, nunca tinha entrado naquele mundo, era a primeira vez, e comecei a olhar para todos aqueles de sexo oposto, a pensar em quem ia escolher para me ensinar a amar, para me fazer feliz. Olhei para todos, várias e várias vezes, na verdade, infinitas vezes. Via gente de todo o tamanho e tipo, via morenos, loiros, baixos, altos, médios. Entretanto, também estava a ser observada, por um lindo rapaz, loiro, de olhos castanhos como duas avelãs, com um bronze perfeito, até que olhei para o meu lado e lá estava ele, rente a mim, a sorrir, e disse-me «és nova aqui? », e eu completamente corada, respondi que sim. Depois de um sorriso vindo dos dois ele disse « eu também sou » , eu repeti o sorriso de antes. Na verdade, não tinha nada a lhe dizer, não o conhecia, nem sabia que tipos de coisas fazia ele, nem nada do género, então mantive-me calada.
Os dias foram passando e a imagem daquele menino foi me ficando sempre presente na memória, mas a verdade é que nunca a mais o tinha visto. Conheci inúmeros rapazes dos quais partilhei horas de conversa, mas por vezes, ao fechar os olhos pensava que era com aquele menino do inicio que estava ali. Pensava nele o tempo todo, criei planos futuros nos meus sonhos para realizar com ele. Mas a pergunta « onde andará ele? » estava presente na minha cabeça o tempo todo. Procurava-o por toda a parte, e não o encontrava. Mas não, não sabia que já sabia amar, pensava que fosse algo normal tudo aquilo que estivesse a acontecer.
Anos depois, farta de andar naquele mundo sem o ter encontrado, perguntei a um rapaz, que de certo modo tinha as mesmas características do que o menino que andava presente no meu coração, « posso te escolher para seres aquele que me ensinará a amar? » , e ele após segundos respondeu-me num tom estranho « não, e sabes porquê? Porque não se escolhe quem amar, o coração escolhe sozinho, sem nunca te pedir opinião, sem sequer se importar contigo, escolhe e pronto. Nunca te esqueças que o coração manda, em ti, e em tudo, desde que tenha como nome coração. E acho que já sabes amar, tal como eu, só estou à procura da minha menina, da minha metade, que perdi de vista à uns anos atrás e desde aí nunca mais a vi. Por acaso não viste por aí uma menina que sabe amar, mas pensa que não sabe? »
Ficaram minutos parados a se olharem, até perceberem que se tinham encontrado, e o mundo parou, os olhos brilharam, os braços entrelaçaram-se, os sorrisos expandiram-se, o beijo aconteceu, o momento chegou, e sim, o amor venceu! Eu, bem baixinho, sussurrei-lhe ao ouvido « obrigada por também me teres ensinado que não se escolhe quem amar, o coração comanda. »