Segundo capítulo

A pergunta aqui presente é “Serão que eles estão a namorar?”, mas a verdade é que nunca ninguém entendeu, nunca ninguém conseguiu responder a isso, nem ela, nem ele, ninguém! Ambos sabiam o que era sentido e que não era só mera amizade, mas ambos agiam como isso, como se tudo aquilo que antes acontecera tivesse sido apenas um sonho, um lindo sonho. Continuavam a falar, a brincar juntos, a irem para casa juntos, a fazer tudo… juntos. Mas sempre sem tocarem no assunto anterior, sem um beijo dar, sem uma palavra carinhosa dizer. Voltou tudo à estaca zero, de certo.
Mas talvez haja uma explicação para tudo isso, e só eles nos podem dar essa mesma explicação.. ou não. A explicação é simples, muito simples, mas de todo que é muito dolorosa e devastadora. Era o fim de algo que nunca tivera começado, era uma partida, um último adeus. O menino estava de partida, para um sítio longe, muito longe… Os pais desse menino eram separados, e tivera ficado combinado entre os pais que o pai tinha o direito de ficar com o filho pelo menos um ano, enquanto que a mãe ficava dois. E os dois anos da mãe estavam no fim, quase no fim… Estava na hora do menino ir ao encontro do pai, para muito longe, onde nem os sonhos da menina lá chegavam, e de que valia os meninos começarem um relação se sabiam que esta ia ter um fim e que talvez eles nunca mais se viam? Um ano de todo que não é pouco tempo, mas uma vida toda ainda pior, pois a mãe deste menino estava doente e já não tinha condições para cuidar dele, e o pai tivera ficado com este cargo, por isso digo que se começassem uma relação ambos iriam sofrer muito mais, mais do que estão agora a sofrer… muito mais!
Passavam os dias juntos, aproveitaram tudo o que juntos tinham de aproveitar, para que ambos, antes de adormecer se lembrassem de todos os sorrisos que partilharam, todos os momentos que viveram, todas as palavras que disseram, todas as quedas e gargalhadas que deram… juntos! Prometeram imensas coisas, prometeram trocar cartas, dar novidades, mas acima de tudo, prometeram nunca se esquecerem um do outro, prometeram que ambos seriam o primeiro e único amor, e que sempre seriam recordados como isso: como um inesquecível amor! Faltava uma semana para a ida do menino, e cada vez que se lembravam disso olhavam um para o outro e ambos diziam, com uma fascinante esperança “ não será o fim, nunca teremos um fim!”. Quem os ouvia dizer aquilo com tanta esperança e confiança, de certo que se iria comover… falo por mim! Em seus corações tudo era perfeito, nada impossível, e não consideravam aquilo um fim. Talvez a sua ingenuidade falasse mais alto, ou talvez fosse o amor. Um dia eles contarão.
Os dias passaram voando, e é incrível que apenas nos melhores e mais especiais momentos o tempo não pára, ou pelo menos não anda devagar, era isso que a menina pensava, e de certo que tem razão. No dia antes da ida do menino, ambos faltaram as aulas, era a sua despedida, assim dizendo. Foram para a casa do menino, almoçaram juntos, divertiram-se, cantaram, pularam, sorriram, até que ali o tempo parou, olharam-se fixamente por minutos, longos minutos, até que os seus lábios foram-se aproximando, tocaram-se, mexeram-se. Foi um lindo beijo, talvez o mais lindo. Aquele beijo não tinha fim, prolongou-se enquanto se deitavam na cama. Os cabelos longos e pretos da menina na cara do menino, as suaves mãos da menina na cara dele, as mãos dele na anca dela, era tudo lindo, fascinante, deslumbrante… O momento desenrolou-se. A camisa da menina saiu lentamente do seu corpo, a do menino também. O beijo continuava, cada vez mais intenso. As palavras que saiam daquele beijo eram de certo, perfeitas. O menino, num suave tom disse-a:
- Eu amo-te e não digo isso como se fosse apenas uma palavra solta, digo-te porque é o que sinto e o que mais uma vez o meu coração me manda dizer.
A menina paralisou, continuou o beijo, e quando ganhou coragem respondeu-lhe:
- Este e todos os outros momentos serão sempre relembrados com um enorme sorriso, com o nosso sorriso. E sabes uma coisa? Eu amo-te, amo-te hoje e para sempre.
O momento continuou, sem nunca pensarem no que realmente estava a ser feito, até que se aperceberam que era tudo amor, era tudo chamado de amor. E sim, faziam amor naquele preciso momento. Nada os fazia parar, o amor era e sempre será mais forte que tudo… No fim daquele acto extremamente amoroso, ambos se sentaram na cama com os olhos colados e ela lentamente o agarrou a mão e disse-o:
- Sabes uma coisa? Tudo o que até hoje vivemos tornou-me naquilo que sou hoje, nessa menina cheia de força e confiança, nessa menina cheia de esperança que um dia voltes, amando-me mais do que o que amas hoje, querendo-me e admirando-me mais. Porque sim, eu tenho a esperança, a esperança que seja eu o teu futuro, e tu o meu! Tenho a certeza que a cada momento que passar, e cada vez que as saudades aumentarem, o amor aumentará também, e quando voltar a estar contigo, como aqui estamos agora, abraçar-te-ei e dirár-te-ei “ Caramba, finalmente!”, e sabes porque? Porque o nosso amor não é como todos os outros, não é daqueles que não aguentam a distância, pois amor que é amor, vence tudo, e o que é a distância para a força que o nosso amor tem? Sabes tão bem quanto eu que ele vence tudo, e fracos são aqueles que preferem desistir de um amor, em de vez enfrentá-lo, e aqui estou eu dizendo-te a ti e ao teu coração que eu vou enfrentar… vou enfrentar tudo, seja lá o que for, serei sempre uma lutadora que luta apenas por ti, por nós!
O mundo do menino parou naquele momento, e uma lágrima caiu pelo seu rosto, e a menina, olhando para a rapidez com que aquela lágrima caia, limpou-a e disse-o: - Não, não chores! Tudo o que agora disse era suposto fazer-te sorrir, e não chorar! Sorri… sorri por mim, por ti, por nós!
- Quando a felicidade é grande demais e um sorriso não é suficiente para a mostrar, correm lágrimas, lágrimas de felicidade como a mim me está a correr. Todos os meus sorrisos e lágrimas são derivados a ti, a nós, por isso nunca mais me peças para sorrir por ti, sorrio sempre, e sempre hei-de sorrir! - disse o menino. Abraçaram-se e o tempo voltou a parar, aquele abraço tinha algo de diferente, talvez por detrás dele havia imensos desejos, tristezas, medos, e acima de tudo, havia uma grande despedida, uma dolorosa despedida… O momento acabou, estava na hora da última palavra, do último gesto. E assim foi. Beijaram-se, e de repentino sorriram juntos, e despediram-se com um simples “Até amanha”, pois para eles, aquilo era só um até amanhã, jamais um “adeus”. Não era o fim, de todo!

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