História sem fim?
Ria-me. Ria-me quando diziam que havia histórias de amor que não tinham fim. Ria-me mesmo e podia-se ouvir as minhas gargalhadas de gozo e de ironia em qualquer sítio. Não me continha. Agora rio-me de mim. Rio-me da minha parvoíce em ver os anos passar e não conseguir andar para a frente sem sentir saudades tuas, não conseguir evitar correr para trás de encontro aos teus braços mais uma vez, pensando sempre que é pela última vez. Mas nunca é. Há sempre um reencontro. Há sempre um suposto último beijo. Não sei quando isso vai acabar ou até mesmo se isso vai acabar. Já passaram anos desde que decidimos afastar os nossos corações e nos ver partir, mas esses anos é como se fossem dias, continuamos unidos por alguma coisa que eu não o quê. Nem tu. Talvez seja amor verdadeiro. Talvez sejas tu. Talvez seja eu. E se for isso, que seja. Eu quero. Não vou negar nem fugir disso, porque tanto eu como tu sabemos que não vale a pena. Pode passar meses sem vermos o brilho dos nossos olhos, mas quando vemos pronto, caímos outra vez e recuamos no tempo. Voltamos à altura que eramos um só. Voltamos ao carro. Voltamos a ir para os mesmos sítios. Voltamos a sentir os mesmos beijos. Voltamos a ouvir as mesmas palavras. Voltamos a fazer as mesmas promessas. Voltamos a nos entregar, mas sempre pensando que é a última vez até dizermos aquele “até amanhã”, ou aquele “espera por mim, fomos feitos um para o outro”. E é isso que me magoa. É isso. É saber que fui feita para ti, tu foste feito para mim mas que a vida não foi feita para nós. Há quilómetros imensos que nos impendem de continuar ou de finalizar essa nossa história que tem tanto, mas tanto para dar. Esses quilómetros não vão durar a vida inteira, é verdade, mas custa pensar que vamos continuar assim durante dois anos. Dois anos estes que, para nós, são uma eternidade. Eu espero. Tu esperas. Mas se a vida não nos espera? Se a vida nos mete de costas um para o outro? Já pensaste nisso? Eu nunca tinha pensado. Mas agora pensei. E caí. Estou bem lá em baixo. E mais uma vez não estás aqui para me dar a mão e dizer “estou aqui para ti” ou aquele “gosto tanto de ti princesa” como só tu sabes dizer, não é? Não te culpo. Não te condeno. Fizeste a tua escolha. Eu fiz as minhas. Mas sabemos que a nossa última escolha será sempre nós. Será sempre cair nas saudades, até o dia que não haja mais saudades. Se esse dia chegar, claro.
Eu sei que tudo acontece por uma razão, mas eu queria saber a razão pela qual não aguentamos cruzar o nosso olhar e não trocar uma palavra, seguida de um beijo, seguido de muitos mais. A razão pela qual nós não conseguimos gostar de ninguém como gostamos um do outro. A razão pela qual continuamos aqui, separados, à espera que voltes ou que eu vá. A razão pela qual não conseguimos terminar essa história sem fim. A razão pela qual não conseguimos evitar correr para os braços um do outro!
Eu sei que tudo acontece por uma razão, mas eu queria saber a razão pela qual não aguentamos cruzar o nosso olhar e não trocar uma palavra, seguida de um beijo, seguido de muitos mais. A razão pela qual nós não conseguimos gostar de ninguém como gostamos um do outro. A razão pela qual continuamos aqui, separados, à espera que voltes ou que eu vá. A razão pela qual não conseguimos terminar essa história sem fim. A razão pela qual não conseguimos evitar correr para os braços um do outro!