Vale a pena esperar

Estava eu sentada naquele banco, naquele sítio, naquela hora à espera que tudo o que aconteceu lá à três anos atrás voltasse a acontecer naquele momento, mais uma vez.. Pela última vez. Eu estava com tanta esperança de ver entrar pelo portão do jardim aquele sorriso, aquela alegria, aquela motivação, aquelas noites em conchinha, aquele momentos que partilhávamos com a máquina fotográfica. Eu esperava por ele. Pelo homem da minha vida. Por outro homem da minha vida.
Começou a chover intensamente e, em segundos, fiquei toda molhada, com o cabelo despenteado, com a maquilhagem borrada, com a blusa agarrada ao meu corpo frio, com os óculos completamente olhados que me impediam de ver e com o coração partido. Sim, partido, porque naquele momento percebi que aquilo que eu esperava não ia chegar. A esperança despediu-se de mim e deixou-me sozinha, sem sítio para me abrigar da chuva, sem palavras para dizer, sem motivação para continuar à espera. Não ia acontecer. Não ias chegar. À três anos não chovia. Fazia um lindo sol, o céu era todo azul e não havia nuvens a colorir o céu de cinzento nem havia poças de água que nos molhassem os pés. À três anos as coisas foram diferentes, tudo estava a nosso favor, parecia que não havia vida para além de nós. Hoje não. Hoje não existe vida é para mim. Continuo no mesmo sítio sentada, sozinha, apenas com a companhia da cuva e dos trovões e do meu coração triste. Do coração que antes era teu e agora não é de ninguém, nem mesmo meu. Não o sei controlar, não o sei contentar nem o sei entender. Ele sente saudades, não de tu, nem de mim, nem de ninguém. E eu também não. Ele sente saudades dos momentos, dos sorrisos, das gargalhadas, das noites, das manhãs, das tardes, dos passeios, dos jantares e dos almoços. Ele sente saudades daquilo que tu o proporcionaste. Não de ti, quero que fique bem claro. Ele quer alguém diferente, mas que saiba fazer aquilo que tu fazias. Ele quer alguém que o faça bater mais depressa e mais devagar ao mesmo tempo. Ele quer alguém que me abrace forte e por momentos deite a sua cabeça no meu peito e diga "estou a sentir o teu coração". Ele quer alguém que depois de me beijar, me passe as mãos no rosto e diga "amo-te". Ou então que após eu adormecer fique a olhar-me e a orgulhar-se de partilhar a sua vida comigo. Ele quer alguém que me faça feliz, que me trate da melhor maneira e que goste de mim tal e qual como eu sou.
O meu coração mandou-me olhar, pela última vez, para o portão. Eu evitei. Mas olhei. O coração manda. Não tinha ninguém. Continuava sozinha com a chuva e até que estava a gostar de ali estar com aquela fria companhia. Fiquei ali. As horas iam passando. O céu ia escurecendo. As folhas iam voando. Já não estava à espera de ninguém. Estava, simplesmente, à espera de mim. À espera do meu reencontro comigo mesma e com o passar dos minutos ia conseguindo encontrar-me da melhor maneira. Até que me encontrei por completo!

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