O pesadelo da realidade
Vamos andando por esse caminho que parece não ter fim. Tropeçamos. Caímos. Choramos. Até nos afastamos. Mas o fim nunca foi avistado nem por mim nem por ti. Até que fizemos uma curva, como tantas que já tínhamos feito, e eu parei de te ver. Já estava sozinha, num sitio escuro, sem água, sem comida e sem coração. A primeira coisa que me ocorreu foi sentar-me à espera que voltasses a aparecer para me tirar dali e me levares contigo para um sitio melhor e que tivesse, pelo menos, um pouco de luz. Minha mãezinha sempre me disse que "quem espera sempre alcança" por isso não me cansei de esperar, até hoje. Doí mais a incerteza de um talvez, do que a convicção de um não e do que a certeza de um sim, e cada vez me custava mais lidar com aquela incerteza do talvez ele volte, talvez ele não volte e foi essa incerteza que me entristeceu, que me matou aos poucos, que me incomodou, que me ganhou. Hoje sou uma pessoa vencida e, de todo, perdida. De amor. De dor.
Pensei. Não podia continuar ali sentada à espera de alguém que não ia voltar, ele já devia estar muito longe. Então levantei-me e comecei a seguir o meu extinto, porque não havia luz e não se via quase nada e a minha unica solução era andar sem rumo. Andei tanto sem nunca parar. Já não conseguia falar com a sede que tinha. Comecei a ver uma luz e aí algo despertou dentro de mim. A esperança começou a me fazer cócegas nos pés e fazia-me andar mais depressa. Cheguei à luz, doía-me os olhos, mas doía-me muito mais o coração quando deparei com ele. Sim, com ele. Com ele abraçado a outra, dizendo-a o mesmo que a mim dizia, tratando-a como a mim me tratava, beijando-a como a mim me beijava, amando-a como parecia me amar a mim. Parei. Estava paralisada. Não sentia as pernas, nem as mãos, nem a boca. Não sentia nada a não ser o bater rápido do meu coração e um nó na garganta que me inquietava imenso. Ela ria-se como se estivesse mesmo feliz, mas na verdade, ria-se mesmo era da minha cara de sofrimento e de desilusão. E ele? Bem, ele estava de costas, até que se virou para trás, viu-me, olhou para mim e sorriu como se não me devesse nenhum tipo de justificações e como se aquilo que estivesse fazendo fosse o correto e o normal. Continuava ali parada, feita parva, a ver outra pessoa no lugar que antes era meu, nos braços que antes eram a minha casa, nos lábios que antes eram a minha fonte, nos mãos que antes eram o meu cobertor, no coração que antes era a minha vida. Só se ouvia as gargalhadas deles de felicidade ou de gozo, sei lá. E bem lá no fundo ouvia-se os meus suspiros de desespero e o meu choro de perda. Mas mesmo bem lá no fundo. Dei um passo em frente e ouvi alguém dizer "esse sempre foi o meu lugar". Olhei para trás e outra voz diz "vai andando, não te vais perder, o caminho é sempre para a frente". Era ele. Era ele a me mandar embora, a me mandar seguir o meu caminho e deixar o deles. Sim, porque afinal aquele nunca foi o meu caminho. Eu percebi que naquele momento que eu não era nada. Não valia nada. Não servia para nada. Segui o meu caminho, andei até me cansar. Dei comigo numa cama. Na minha cama. De pijamas, toda transpirada e acabada de acordar. Não tinha passado dum pesadelo. Naquele momento saiu-me um peso enorme de cima e sentia-me feliz por saber que, afinal, nada daquilo era verdade e que era eu a mulher da vida dele como ele dizia.
Levantei-me da cama, fui tomar banho e peguei no meu telemóvel para o ligar e para o contar tudo isso que tinha sonhado. Tinha 12 chamadas não atendidas de um número estranho e duas mensagens. Nada era dele. Abri as mensagens e fechou-se o meu coração. Fechou-se a luz, fechou-se a esperança. Fechou-se tudo. As mensagens eram dela. Eram daquela rapariga do meu sonho e diziam, exatamente, aquilo que aconteceu no sonho. Era ela a mulher da vida dele, era ela que ele amava, era ela que ele queria e era ela com quem ele estava. Eu era apenas uma forma de ocupar tempo, mais uma forma de ele receber carinho. Eu era a outra. Afinal sonhei com algo real. Nada daquilo foi um pesadelo, era um aviso e só eu não entendi isso!
Agora estou de portas fechadas para o amor e vejo-os felizes, a partilhar os melhores momentos e a serem aquilo que um dia eu também fui. Agora eu vejo que, afinal, eu não tinha assim tanto para dar como pensava e que tudo o que disse e fiz não valeu a pena.
Como digo sempre, "sabemos que estamos a fazer o certo quando perdemos a vontade de olhar para trás", por isso espero que ele nunca mais sinta vontade de olhar para trás e que esteja a fazer o certo, porque caso contrário eu não estarei na escuridão, com a incerteza de um talvez, à espera que ele volte.
Pensei. Não podia continuar ali sentada à espera de alguém que não ia voltar, ele já devia estar muito longe. Então levantei-me e comecei a seguir o meu extinto, porque não havia luz e não se via quase nada e a minha unica solução era andar sem rumo. Andei tanto sem nunca parar. Já não conseguia falar com a sede que tinha. Comecei a ver uma luz e aí algo despertou dentro de mim. A esperança começou a me fazer cócegas nos pés e fazia-me andar mais depressa. Cheguei à luz, doía-me os olhos, mas doía-me muito mais o coração quando deparei com ele. Sim, com ele. Com ele abraçado a outra, dizendo-a o mesmo que a mim dizia, tratando-a como a mim me tratava, beijando-a como a mim me beijava, amando-a como parecia me amar a mim. Parei. Estava paralisada. Não sentia as pernas, nem as mãos, nem a boca. Não sentia nada a não ser o bater rápido do meu coração e um nó na garganta que me inquietava imenso. Ela ria-se como se estivesse mesmo feliz, mas na verdade, ria-se mesmo era da minha cara de sofrimento e de desilusão. E ele? Bem, ele estava de costas, até que se virou para trás, viu-me, olhou para mim e sorriu como se não me devesse nenhum tipo de justificações e como se aquilo que estivesse fazendo fosse o correto e o normal. Continuava ali parada, feita parva, a ver outra pessoa no lugar que antes era meu, nos braços que antes eram a minha casa, nos lábios que antes eram a minha fonte, nos mãos que antes eram o meu cobertor, no coração que antes era a minha vida. Só se ouvia as gargalhadas deles de felicidade ou de gozo, sei lá. E bem lá no fundo ouvia-se os meus suspiros de desespero e o meu choro de perda. Mas mesmo bem lá no fundo. Dei um passo em frente e ouvi alguém dizer "esse sempre foi o meu lugar". Olhei para trás e outra voz diz "vai andando, não te vais perder, o caminho é sempre para a frente". Era ele. Era ele a me mandar embora, a me mandar seguir o meu caminho e deixar o deles. Sim, porque afinal aquele nunca foi o meu caminho. Eu percebi que naquele momento que eu não era nada. Não valia nada. Não servia para nada. Segui o meu caminho, andei até me cansar. Dei comigo numa cama. Na minha cama. De pijamas, toda transpirada e acabada de acordar. Não tinha passado dum pesadelo. Naquele momento saiu-me um peso enorme de cima e sentia-me feliz por saber que, afinal, nada daquilo era verdade e que era eu a mulher da vida dele como ele dizia.
Levantei-me da cama, fui tomar banho e peguei no meu telemóvel para o ligar e para o contar tudo isso que tinha sonhado. Tinha 12 chamadas não atendidas de um número estranho e duas mensagens. Nada era dele. Abri as mensagens e fechou-se o meu coração. Fechou-se a luz, fechou-se a esperança. Fechou-se tudo. As mensagens eram dela. Eram daquela rapariga do meu sonho e diziam, exatamente, aquilo que aconteceu no sonho. Era ela a mulher da vida dele, era ela que ele amava, era ela que ele queria e era ela com quem ele estava. Eu era apenas uma forma de ocupar tempo, mais uma forma de ele receber carinho. Eu era a outra. Afinal sonhei com algo real. Nada daquilo foi um pesadelo, era um aviso e só eu não entendi isso!
Agora estou de portas fechadas para o amor e vejo-os felizes, a partilhar os melhores momentos e a serem aquilo que um dia eu também fui. Agora eu vejo que, afinal, eu não tinha assim tanto para dar como pensava e que tudo o que disse e fiz não valeu a pena.
Como digo sempre, "sabemos que estamos a fazer o certo quando perdemos a vontade de olhar para trás", por isso espero que ele nunca mais sinta vontade de olhar para trás e que esteja a fazer o certo, porque caso contrário eu não estarei na escuridão, com a incerteza de um talvez, à espera que ele volte.