Corre atrás
Não acredito. São cinco da manhã e estou acordada. Estava a ter um sonho tão bom e de repente, olha, aqui estou eu, acordada. Eu não queria acordar. Queria continuar a viver aquilo, em sonhos, pelo menos. Já me fazia feliz. Fechei os olhos e tentei voltar a adormecer, mesmo sabendo que podia não voltar a ter um sonho daqueles. Mas espera, para quê sonhar? Estou viva, consigo andar, tenho um coração cheio de amor para dar, consigo ir até onde quiser. Não é? É. Levantei-me, estava na hora de deixar os sonhos para trás e importar-me comigo, contigo, com a minha vida. Sempre aprendi que quem ama não desiste e que quando se quer mesmo uma coisa não devemos nos deixar ficar pelo sonho. Devemos fazer o que estiver ao nosso alcance para o tornar verdade. É isso que vou fazer. Estou com umas leggins e com uma blusa que ninguém me vai querer ver com ela, mas é isso, é mesmo assim que vou. Vou só calcar as minhas sapatilhas e depois estarei pronta para correr, para dar a volta ao mundo, para agarrar todas as oportunidades com uma só mão.. para te agarrar, para te ter. Numa só mão. Ou no coração. Não me vou cansar, porque correr por gosto não cansa. O que cansa mesmo é habituarmo-nos a ficar aqui, sempre, à espera que as coisas vêm ter connosco sem nós sequer esticarmos a mão ou abrirmos o coração. Está na hora. É hoje. Ou nunca. Escolho hoje!
Já estou a correr, não sei para onde. Está escuro. Não consigo ver, mas estou a correr. Hei de chegar a ti. Já passaram horas, já vi o nascer do sol, já passei por tanta gente, já sorri, já chorei, já parei.. Mas não vou desistir. Não deve faltar muito e já vou poder ter a oportunidade de te tocar, nem que seja com um dedinho, bem devagarinho, para não sentires. E se quiseres sentir.. bem, se quiseres sentir irei te abraçar com toda a força que eu puder, beijar-te até perder o folgo, que já é pouco. Irei fazer-te sentir a pessoa mais amada e procurada do mundo. Acredita. Tu és. Pelo menos neste momento. Estou cansada, decidi abrandar e andar um pouco. Já é de noite, outra vez. Mas eu a andar neste passo não vou chegar a lado nenhum, não é? Sei que é. Vou correr. Ou continuar a correr. Tanto silêncio, não se ouve ninguém, está tudo a dormir. Ele deve de estar a dormir também.
Auutch, bati contra alguém. Está tão escuro que não se vê quem é. Não tenhas medo, não deve de ser ninguém que me vá fazer mal, acho. Calma.. Nem sei se a pessoa continua aqui.. Espera.. Isso é ele. É ele! Não acredito, será que ainda não estou acordada? A essa hora e ele aqui? No mesmo caminho que eu? A fazer uma corrida? Que coincidência, não é? Ainda não falei, ele também não. Mas está aqui. Com a lanterna do seu telemóvel apontada para mim e a olhar-me como se.. sei lá.. como se estivesse à minha procura. Talvez seja melhor dizer algo, não é? Ainda o perco e não o consigo apanhar. Não quero isso. Vou o perguntar o que ele faz aqui a essa hora ou porque é que está a olhar assim para mim.. Posso fazer as duas perguntas, uma de cada vez.. Ele falou tão baixinho que mal se ouvia “estou aqui a fazer o mesmo que tu” e eu fiquei a pensar como é que ele sabia o que é que eu estava a fazer ali. Ele não sabe. Não tem como saber. “Sei pois, sei melhor do que pensas. Estavas à minha procura”, disse ele. Calei-me. Não tinha nada mais a dizer. Ou até tinha, antes de o encontrar aqui. Eu parei, mas parece que todas as minhas palavras continuaram a correr. E as dele também. Não foi preciso palavras. Quando dei por mim já estava nos braços dele, tal como sonhei. Adormecemos ali, juntos. Estava mesmo a precisar dumas boas horas de sono. Acordei e ele continuava ali, a dormir. Eu esperei até ele acordar porque tinha mesmo que falar, tinha que abrir o coração uma vez na vida e conseguir dizer aquilo que vá dentro dele, que é tanta coisa. Acreditem.
Assim foi, ele acordou, eu abri o coração e ele abriu o seu. Não me consigo lembrar das palavras que escolhi, das vírgulas que usei, dos sorrisos que dei. Só me consigo lembrar da última frase que ele disse. “Não te deixes ficar pelos sonhos. Vale a pena correr atrás deles.” Hoje, somos só um. Um amor, um coração, um sonho. Uma realidade. Corre atrás. Nós corremos. Conseguimos. Não serás diferente!
Já estou a correr, não sei para onde. Está escuro. Não consigo ver, mas estou a correr. Hei de chegar a ti. Já passaram horas, já vi o nascer do sol, já passei por tanta gente, já sorri, já chorei, já parei.. Mas não vou desistir. Não deve faltar muito e já vou poder ter a oportunidade de te tocar, nem que seja com um dedinho, bem devagarinho, para não sentires. E se quiseres sentir.. bem, se quiseres sentir irei te abraçar com toda a força que eu puder, beijar-te até perder o folgo, que já é pouco. Irei fazer-te sentir a pessoa mais amada e procurada do mundo. Acredita. Tu és. Pelo menos neste momento. Estou cansada, decidi abrandar e andar um pouco. Já é de noite, outra vez. Mas eu a andar neste passo não vou chegar a lado nenhum, não é? Sei que é. Vou correr. Ou continuar a correr. Tanto silêncio, não se ouve ninguém, está tudo a dormir. Ele deve de estar a dormir também.
Auutch, bati contra alguém. Está tão escuro que não se vê quem é. Não tenhas medo, não deve de ser ninguém que me vá fazer mal, acho. Calma.. Nem sei se a pessoa continua aqui.. Espera.. Isso é ele. É ele! Não acredito, será que ainda não estou acordada? A essa hora e ele aqui? No mesmo caminho que eu? A fazer uma corrida? Que coincidência, não é? Ainda não falei, ele também não. Mas está aqui. Com a lanterna do seu telemóvel apontada para mim e a olhar-me como se.. sei lá.. como se estivesse à minha procura. Talvez seja melhor dizer algo, não é? Ainda o perco e não o consigo apanhar. Não quero isso. Vou o perguntar o que ele faz aqui a essa hora ou porque é que está a olhar assim para mim.. Posso fazer as duas perguntas, uma de cada vez.. Ele falou tão baixinho que mal se ouvia “estou aqui a fazer o mesmo que tu” e eu fiquei a pensar como é que ele sabia o que é que eu estava a fazer ali. Ele não sabe. Não tem como saber. “Sei pois, sei melhor do que pensas. Estavas à minha procura”, disse ele. Calei-me. Não tinha nada mais a dizer. Ou até tinha, antes de o encontrar aqui. Eu parei, mas parece que todas as minhas palavras continuaram a correr. E as dele também. Não foi preciso palavras. Quando dei por mim já estava nos braços dele, tal como sonhei. Adormecemos ali, juntos. Estava mesmo a precisar dumas boas horas de sono. Acordei e ele continuava ali, a dormir. Eu esperei até ele acordar porque tinha mesmo que falar, tinha que abrir o coração uma vez na vida e conseguir dizer aquilo que vá dentro dele, que é tanta coisa. Acreditem.
Assim foi, ele acordou, eu abri o coração e ele abriu o seu. Não me consigo lembrar das palavras que escolhi, das vírgulas que usei, dos sorrisos que dei. Só me consigo lembrar da última frase que ele disse. “Não te deixes ficar pelos sonhos. Vale a pena correr atrás deles.” Hoje, somos só um. Um amor, um coração, um sonho. Uma realidade. Corre atrás. Nós corremos. Conseguimos. Não serás diferente!