O que tenho a dizer ao passado.
Tanto tempo com a folha em branco há minha frente pensando em como começar isso. Em como acabar. Que palavras usar. Quanto mais pensar pior será, penso eu. Não consigo imaginar sequer como irei dizer tudo aquilo que preciso que saibam, que preciso de tirar, daqui de dentro. De mim. Talvez a melhor forma seja falar diretamente para ti, querido passado. Todas as pessoas vivem o seu presente, ou pelo menos quase todas. Eu vivo mais o meu passado do que propriamente o meu presente, e tudo isso porque tu não és capaz de me deixar ir sem imaginar que podia ser diferente. Não me deixas sorrir sem me dizeres que o motivo do meu sorriso amanhã poderá ser motivo das minhas lágrimas. Não me deixas conseguir acreditar naquilo que sentem por mim. Não me deixas acreditar em mim e naquilo que eu ainda valo. Não me deixas o braço. Não me deixas. Mas deixa. Deixa-me poder usufruir do meu presente e lutar pelo meu futuro. Deixa-me acreditar nos outros para que eles possam também acreditar em mim. Deixa-me. Deixa-me ir e juro que te esqueço de vez e que não volto a ser eu a ir ter contigo. Juro-te que não guardarei rancor. Não te irei odiar para sempre nem falar só daquilo que de negativo me proporcionaste. Acredita. Falarei também na pessoa em que me tornaste, na que sou hoje. Essa aqui. Que pode ter mil e um defeitos, é verdade, mas que tem imensa vontade de poder viver a vida como ela realmente merece ser vivida. Da melhor maneira. Com toda a intensidade. E vontade. Mas deixa-me. Uma vez, só. Por favor. Não te arrependerás daquilo que um dia significarás para mim. Não mesmo.