De tanto bater, o meu coração amou.

Eu sabia que um dia ia acontecer. De tanto bater, um dia ia amar. Já estava habituada a o sentir bater todos os dias, umas vezes com mais força do que outras e, sinceramente, já o tinha sentido bater por várias pessoas, por longos abraços, por manhãs de chuva com carinho, mas olha.. afinal era mesmo só bater, nunca tinha amado. Hoje, por incrível que pareça, não o sinto a bater. Ou até sinto, mas por amor.
Parece que ele abriu a janela – que até agora esteve fechada e eu não sabia - e agarrou os rápidos batimentos e transformou-os em algo que – incrivelmente – não sei explicar. Sinto alguém do lado de dentro da janela do meu coração – algo que nunca tinha sentido – mas quero saber quantas vezes é possível sentir isso pela primeira vez, porque é realmente bom sentir-me acompanhada ou preenchida, mesmo que, quem quer que seja que cá dentro esteja, não o sinta.
Não sabia que era possível amar sem ter havido qualquer tipo de toque ou de carinho, mas afinal há sentimentos que foram feitos para serem vividos e não explicados. Como esse. Sim, como esse. Como esse que só precisou da tua primeira palavra para eu querer ser tua, sem sequer saber quais seriam os movimentos dos teus lábios perto dos meus, sem imaginar qual seria o teu perfume, sem pensar em qual seria o gosto dos teus beijos ou o tamanho das tuas mãos. Quis ser tua. Naquele momento. E ainda. Agora. Podias ter começado com um sorriso que me pedia o resto da minha vida. Eu não hesitava. Dar-te-ia.
Bastou uma frase, ou duas, não sei, e comecei-te a amar para o resto da minha vida. Fizeste o meu coração amar, de tanto bater. Um dia tinha que acontecer.

Mensagens populares deste blogue

O coração fechado a sete chaves

Deixar ir

Mais um ano ou menos um ano?