Quero(-me)

Quero-me. Leste bem. Disse que me quero, não que te quero. Estive tanto tempo sem me querer que agora quero-me por todo o tempo que não me quis. A mim. Exato. A mim que não se deixava ficar, que não se contentava com pouco, que não queria ninguém antes de se querer a si, que não amava ninguém mais do que a si própria, que primeiro se ouvia a si, que vivia para si. A mim. Quero-me a mim antes de te ter tido a ti. Quero-me de volta com todos os senãos. Quero-me como se nunca estivesses por cá passado. Sinceramente, do fundo do coração, as únicas saudades que sinto depois de te ter perdido, são minhas. Tenho tantas saudades minhas que não consigo ter tuas. Quero-me como quando não te conhecia. Quero-me por completo. Quero-me, talvez, como nunca te quis a ti. O problema foi esse. Enquanto cá estiveste esqueci-me de me querer a mim. Perdi-me. E de tão perdida que estava, perdi-te. Talvez a melhor dor que até hoje senti. Veio acompanhada de um amor tão mais puro: o próprio. É nas fraquezas que vemos quais são as nossas forças, e há que admitir que a minha é concluir que o que tivemos afinal não foi, de todo, puro. Se tivesse sido.. Se tivesse sido eu nunca teria deixado de me querer. Muito menos de me amar. Podemos tão bem amar duas pessoas ao mesmo tempo. A nós e ao outro. Contigo nunca senti que isso fosse possível. E mais uma vez, mesmo sentindo isso, continuei. Não me queria. Agora peço-te desculpa, mas é a única coisa que quero. A mim. Quero-me, de verdade. Como um dia te quis a ti.

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