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Quero(-me)

Quero-me. Leste bem. Disse que me quero, não que te quero. Estive tanto tempo sem me querer que agora quero-me por todo o tempo que não me quis. A mim. Exato. A mim que não se deixava ficar, que não se contentava com pouco, que não queria ninguém antes de se querer a si, que não amava ninguém mais do que a si própria, que primeiro se ouvia a si, que vivia para si. A mim. Quero-me a mim antes de te ter tido a ti. Quero-me de volta com todos os senãos. Quero-me como se nunca estivesses por cá passado. Sinceramente, do fundo do coração, as únicas saudades que sinto depois de te ter perdido, são minhas. Tenho tantas saudades minhas que não consigo ter tuas. Quero-me como quando não te conhecia. Quero-me por completo. Quero-me, talvez, como nunca te quis a ti. O problema foi esse. Enquanto cá estiveste esqueci-me de me querer a mim. Perdi-me. E de tão perdida que estava, perdi-te. Talvez a melhor dor que até hoje senti. Veio acompanhada de um amor tão mais puro: o próprio. É nas fraquezas...

Ele era de vidro.

O que tem de ser tem mais força, sempre teve, pensava era que estava a nosso favor, a favor do amor, quero eu dizer. Até o mais lindo amor, o que era para ser antes de acontecer, o que estava destinado, acaba. E acabou. Era mesmo de vidro, nunca duvidei, mas pensei, erradamente, mais uma vez, - melhor dizendo, acreditei - que não o ias deixar cair. Mas deixaste. Caiu. Partiu. Morreu. Não há como fazer um “volta atrás” e reconstruir o que agora está em pedaços. Desde o inicio avisei que era frágil como o vidro, e o meu amor também, tu prometeste guardá-lo bem fechado no teu coração e não o deixar quebrar, não o deixar ir para não partir, assim foi, até não quereres mais o teu coração cheio e não te importares com o meu. Podias tê-lo entregue em mãos, evitaria pedaços no chão e cortes profundos, evitaria medos e receios, evitaria dor e mágoa, evitaria que se partisse. Eu cuidaria dele, como cuidei até chegares. Até te entregar. Até te amar. Cuidaria, talvez, melhor do que tu cuidaste. Nã...

Adeus eterno

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De tanto te amar, dei-te mais do que merecias. O amor tem dessas coisas e nós somos todos submissos a elas. Sei que dei o meu melhor, amei de coração inteiro, ri-me com vontade, beijei-te com emoção e namorei-te com amor. O que tu fizeste, ou não fizeste, cabe-te a ti saber se foi o não o suficiente para aquilo que te dei. Já me disseram muitas vezes “não faças nada por ninguém à espera que façam o mesmo por ti” e concordo, não nego, mas quem ama faz, seja o que for, o que for de bom e de coração, sem desculpas. E agora, ao fim de todo o tempo que partilhamos, questiono-me se realmente foi reciproco tudo o que te dei e tudo o que te amei. Cheguei a uma conclusão, claramente que sim, mas quero – ou tento- acreditar que não foi uma mentira o que me fizeste viver, de bom e de mau, enquanto o meu coração foi teu. Quando é amor, não há fim. E se há, será para sempre lembrado como tal. Como o tal. Não sei se ainda é amor ou não, mas que ficará para sempre não se pode negar. Pelo menos para m...

Deixar ir

É difícil pedir desculpa quando há razão. Pedir para ficar quando o melhor é ir. Agradecer quando não foi o suficiente. Mas mais difícil que tudo isso é aceitar quando o melhor é mesmo deixar ir. Deixar ir quando não te fizer bem. Deixar ir quando não for o que era antes. Deixar ir quando deres mais do que recebes. Deixar ir porque assim tem de ser. Não há mais difícil que isso quando, até esse momento, nunca pensaste em ter de deixar ir. Chega uma altura que é preciso. É essencial. É o certo. Que tanto dói. Mas é. Nem tudo o que é correto faz sorrir. É esse um caso. Amar adultamente é preciso. E é isso. É amar mas saber que o melhor é não amar. Porque não te faz bem. Porque tu não sentes. Amar vem mesmo depois do deixar ir. Está para além disso. E adultamente está ainda mais. Está quando percebes que o amor não e tudo. É um nada, afinal. É quando percebes, que para além de ser amor, não era para ser. E se era, o destino enganou-se. É quando consegues ver o outro lado e mesmo assim não...

Um amor assim

Beija-me. Faz-me parar aqui, no tempo, pelo menos essa vez. Se puderes mais, faz, não vou dizer que não. Pára-me porque é tão bom isso que sinto que quero, desde o inicio, senti-lo para sempre. Faz. E se houver algo mais para além do sempre, quero na mesma. Quero mais ainda, tu sabes. Sempre fui eu a amar mais, a lutar mais, a querer mais, mas perdão, nunca tinha amado assim. Perdão, nunca me tinham amado assim. Realmente só conseguimos amar de verdade quando sentimos que a nossa vida não teve passado. A minha vida teve passado? Não me lembro. Acho que aquele choro quando nasci foi por sentir já tanto amor dentro de um coração tão pequeno. Amor por ti, claro. Outros amores? Nunca tive. Não me lembro. Lembraste? Começa a ser difícil para mim lidar com um amor assim, maior do que esse mundo. É difícil imaginar como é que é possível alguém conseguir sorrir até quando lhe apetece chorar. É difícil imaginar caber dentro de mim uma coisa tão enorme. É difícil, e fica cada vez mais, imagina...

Mais uma vida, por favor.

Eu nunca quis, antes, viver para sempre. Monótono. Nostálgico. Solitário. Essa ideia de viver para sempre, ora essa. Queria viver até ter de ser. Até acontecer. Sei lá. Chegava a um ponto que não havia mais nada para eu fazer aqui nem mesmo em lado nenhum. Gira, gira, volta a girar e continua a girar. Assim é a vida. Assim é o mundo. Assim é o coração. Assim sou eu. Com tanto giro, com tanta volta, com tanta curva, hoje eu quero viver para sempre e eu percebi isso no dia que comecei a amar-te. Encontrei-te. Não sei se num giro, numa curva ou numa volta, não sei, mas encontrei-te, no final. Ou no inicio. Espera, no início é melhor. Melhor é pouco ainda. Talvez até tinha sido numa pausa ou num “voltar atrás” como tem nos comandos modernos que toda a gente luta por ele. Eu luto por ti. Mas podemos os dois lutar pelo comando. Pelo lugar da cama. Pela almofada. Pelo cobertor. Podemos lutar. Temos é de lutar juntos. Pelo que for. Quando for. Onde for. Pouco importa. Tenho que pedir perdão a...

Até quando vou esperar?

Tanto tempo já passou desde a tua última palavra. Tanto tempo que as flores cresceram, o sol apareceu, as folhas castanhas agora são verdes, o vento emigrou e a chuva secou. Imenso tempo mesmo. Já pestanejei os olhos milésimas vezes, a cor dos meus olhos já mudou com o sol, já vesti a mesma blusa imensas vezes, já chorei, já sorri, mas olha, ainda continuo aqui à espera de um milagre, de uma forma de fazer o tempo andar para trás ou de poder entrar dentro de ti e meter o meu nome dentro desse teu coração que tem tanto azar como o meu. Todos os azares têm nome. O meu és tu. O teu qual é? Ainda me lembro como se fosse hoje do dia que, pela primeira vez, tinha eu 12 anos, falei com a minha mãe sobre amor. “O que é o amor, mãe?”. E ela, com aquele seu sorriso, disse-me que eu era o amor. Ela era o amor. Todos nós eramos amor. “O amor é uma coisa que está dentro de cada um de nós, bem escondido, num cantinho do teu coração. Se fosse para brincar às escondidas, ele ganhava, sem dúvida. Ele ...